Sob a ótica da ciência política, o anúncio de apoio a João Campos feito pelo prefeito de Pedra, Júnior Vaz, nesta segunda-feira (5), representa mais do que um simples gesto de apoio eleitoral. Trata-se de um movimento estratégico que evidencia um possível realinhamento das forças políticas no Agreste pernambucano. Meses após ter dividido o palco com a governadora Raquel Lyra em um encontro realizado em Arcoverde, o gestor municipal declarou publicamente apoio ao prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, durante um ato político em seu município.
A decisão de Júnior Vaz indica uma leitura pragmática do atual cenário estadual, no qual João Campos vem se consolidando como uma liderança capaz de transcender fronteiras partidárias e geográficas. Ao ampliar sua presença no interior do estado, o prefeito recifense fortalece um projeto político de alcance estadual, sustentado pela construção de alianças que dialogam com diferentes campos ideológicos e administrativos.
Do ponto de vista analítico, o gesto também reflete a lógica do municipalismo estratégico, em que prefeitos buscam se alinhar a lideranças com maior capacidade de articulação política, visibilidade e influência sobre recursos e agendas públicas. Nesse contexto, o apoio de Júnior Vaz soma-se aos já anunciados pelos prefeitos Thiago de Miel (PSD), de Xexéu, e Rivanda Freire (PSD), de Jupi — ambos filiados ao partido da governadora Raquel Lyra, o que reforça o caráter transversal do movimento liderado por João Campos.
Assim, o apoio do prefeito de Pedra não apenas redesenha o tabuleiro político local, mas também sinaliza uma tendência mais ampla de recomposição de alianças em Pernambuco. O episódio evidencia que, mais do que fidelidades partidárias rígidas, o cenário atual é marcado por cálculos estratégicos e pela busca de protagonismo em projetos políticos percebidos como viáveis e competitivos no médio e longo prazo.













