O episódio de violência envolvendo dois turistas em Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco, extrapolou os limites de um caso policial e passou a revelar fissuras mais profundas na gestão pública e no debate político local. As agressões, amplamente divulgadas nas redes sociais, provocaram indignação nacional e colocaram a Prefeitura de Ipojuca sob intensa pressão.
No centro das discussões está o prefeito de Ipojuca, Carlos Santana (Republicanos-PE), que, além de gestor municipal, tem seu nome associado a articulações políticas de alcance estadual. Santana é pai de Lara Santana, ex-noiva do prefeito do Recife, João Campos (PSB-PE), ligação pessoal que acabou sendo explorada por críticos como símbolo de um núcleo de poder político que, segundo eles, se perpetua no estado.
Nas redes sociais, a crítica ganhou contornos ideológicos. Internautas passaram a relacionar o episódio ao que chamam de domínio histórico de grupos de esquerda em Pernambuco, atribuindo à condução política da região problemas estruturais como a fragilidade na segurança pública, o avanço de facções criminosas e a presença crescente do narcotráfico em áreas turísticas. Ainda que tais associações careçam de comprovação objetiva, elas refletem um sentimento de desconfiança e desgaste institucional que se intensifica diante de episódios de violência dessa magnitude.
O caso em si é grave. Dois turistas de Mato Grosso, Johnny Andrade e Cleiton Zanatta, relataram terem sido agredidos após um desacordo comercial sobre valores cobrados por serviços na praia. A recusa em pagar o montante exigido teria desencadeado uma sequência de agressões envolvendo várias pessoas. As imagens gravadas por testemunhas e divulgadas online foram decisivas para amplificar a revolta popular e acelerar a cobrança por respostas do poder público.
Até o momento, 14 pessoas já foram identificadas como participantes das agressões, e o Governo de Pernambuco informou que todos serão indiciados. A Polícia Civil e a Secretaria de Defesa Social (SDS) afirmam tratar o caso como prioridade, enquanto as vítimas receberam atendimento médico e o conflito foi contido com a atuação de guarda-vidas e forças policiais.
A governadora Raquel Lyra (PSD) também se manifestou publicamente, classificando o episódio como crime grave e assegurando que o Estado está atuando em conjunto com a prefeitura e os órgãos de segurança para evitar novas ocorrências.
Mais do que um incidente isolado, o caso de Porto de Galinhas evidencia a necessidade de políticas públicas eficazes para garantir segurança em áreas turísticas e expõe como a violência rapidamente se transforma em munição política. Entre acusações, narrativas ideológicas e cobranças legítimas por justiça, permanece a pergunta central: até que ponto o poder público está preparado para proteger cidadãos e visitantes nos principais cartões-postais do Nordeste?

















