O deputado estadual Jarbas Filho (MDB) oficializou nesta terça-feira (7) sua candidatura à presidência do diretório estadual do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Pernambuco, acirrando a disputa interna com o atual presidente, o ex-deputado federal Raul Henry. A decisão marca mais um capítulo na reestruturação da sigla no estado e pode significar uma inflexão no processo de sucessão de lideranças dentro do partido.
Em nota à imprensa, Jarbas Filho também anunciou o pedido de licença não remunerada da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), com o objetivo de se dedicar integralmente à articulação interna da legenda. O gesto, simbólico e estratégico, sinaliza um reposicionamento político dentro do MDB-PE e uma tentativa de fortalecer sua candidatura no embate direto com Henry, figura central do partido nas últimas duas décadas.
Herdeiro político do ex-governador Jarbas Vasconcelos, um dos ícones históricos do MDB nacional, Jarbas Filho tem buscado legitimar sua candidatura como uma proposta de renovação aliada à continuidade. Ele afirma que sua postulação visa “revitalizar” o partido em Pernambuco e resgatar seu protagonismo no cenário estadual, evocando o legado do pai como símbolo de diálogo e construção democrática.
A disputa interna reflete não apenas divergências de projeto político, mas também um conflito geracional e estratégico. Enquanto Raul Henry representa a continuidade de uma direção mais tradicional e institucionalizada, Jarbas Filho se apresenta como expressão de uma nova geração, com forte apelo simbólico, que tenta se afirmar a partir do prestígio herdado e de uma narrativa de renovação partidária.
A licença do mandato legislativo, embora restrita às funções parlamentares, é interpretada como um movimento calculado: ao se afastar formalmente da Alepe, o deputado tenta demonstrar comprometimento exclusivo com a agenda partidária, sem romper com suas bases eleitorais.
O desfecho da disputa poderá redefinir os rumos do MDB em Pernambuco, em um contexto de fragmentação partidária e enfraquecimento das grandes legendas tradicionais. A eleição para o comando do partido, ainda sem data definida, será mais do que um embate entre dois nomes — será uma escolha sobre que tipo de MDB se pretende construir no estado nos próximos anos.














